Rua da Fé

quinta-feira, setembro 21, 2006

Lendo os outros II

Luciano Amaral, no DN:
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Pobre Papa. Sem saber muito bem como, também ele agora faz parte da linhagem deplorável dos que cometem "erros" na relação do "Ocidente" com o "Islão". Havia tanta gente mortinha por um pretexto para se atirar ao tenebroso Ratzinger que ele nem sequer precisou, como o alienado que por estes dias passa por Presidente dos EUA, de se meter numa guerra. Bastou-lhe fazer um discurso erudito que (numa hipótese benevolente) cem pessoas terão lido e talvez cerca de 20% dessas compreendido. Também lhe serviu de pouco que o discurso fosse sobretudo uma crítica, não ao Islão, mas ao Ocidente irreligioso de hoje. Tendo sido igualmente inútil que, na medida em que vagamente pudesse ter essa leitura, o tom do discurso fosse aquele que se diz dever usar-se (por oposição à presumível brutalidade americana) para falar do terrorismo praticado por muçulmanos, convidando-os a separar a religião da violência. Ou seja, no jargão corrente dos dias de hoje, convidando os muçulmanos "moderados" a demarcarem-se dos que recobrem o terrorismo com os ensinamentos do profeta Maomé. Identicamente descartadas foram as críticas que já fez à guerra do Iraque ou até a sua "compreensão" pelo furor islâmico por alturas da lamentável história das caricaturas do profeta. Na verdade, nada disto serviu para evitar novo furor islâmico, desta vez com um discurso obscuro, incluindo uma citação obscura de um texto obscuro referindo-se a um episódio não menos obscuro da história do Império Romano do Oriente.