Rua da Fé

domingo, novembro 12, 2006

Lendo os outros

A opinião no DN de António fidalgo sobre a (des)promoção da ciência em português e do fomento de uma cultura científica na sociedade portuguesa:
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Mas a subserviência do MCTES à língua inglesa não é de agora. De há alguns anos a esta parte que a investigação em Portugal só é financiada pelo Estado se os projectos aos concursos da FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia forem submetidos em inglês, seja qual for a área científica.
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Por experiência, conheço bem esta área, e o dilema é difícil de resolver. É importante que a produção científica feita em Portugal seja transmitida em português, há um espaço a proteger. Mas a ciência é hoje uma área totalmente globalizada, não podia ser de outra forma. O critério nas avaliações das universidades, dos Centros de Investigação ou dos projectos de I&D é estrictamente científico. Os peritos vêm de toda a parte do mundo. Em que língua pode trabalhar um painel de avaliação composto por um sérvio, um italiano, um chinês e um francês? Seria bom que o português fosse língua de comunicação nos fóruns internacionais, que a comunidade científica internacional pudesse ler artigos em português. Mas infelimente não é possível. Nem em português, nem em chinês, nem em japonês, nem, nem, nem .... Esta é a realidade.