Rua da Fé

quarta-feira, agosto 30, 2006

A economia, a imigração e os seus problemas


Numa altura em que a Europa se protege cada vez mais contra os imigrantes, esta notícia do JN deveria suscitar uma reflexão mais profunda sobre o problema:

A economia portuguesa teria tido um crescimento negativo se não tivesse recebido o contributo de milhares de imigrantes que vieram trabalhar para Portugal, entre 1995 e 2005. Nesta década, a riqueza produzida por cada uma das pessoas que vive em Portugal (PIB/per capita) aumentou ao ritmo de 1,6% a cada ano, mas só porque recebeu o contributo de trabalhadores vindos de países terceiros. Sem contar com o efeito da imigração, em 2005 Portugal estaria mais pobre do que estava dez anos antes, indica um estudo feito pela Caixa Catalunya e ontem divulgado pela imprensa espanhola.

País de emigrantes, o fenómeno da imigração constitui um desafio à tolerância e abertura do povo português. A imigração não é um perigo, o imigrante não nos vem roubar o emprego. Antes pelo contrário, vem disposto a fazer o que a generalidade não quer. E do lado de quem imigra há uma realidade que nos deve preocupar, como nos relata D. Dionisio Lachovicz (Agência Ecclesia):

A partir de 1988, ano em que se celebrava o Milénio do Cristianismo na Rus de Kiev, apareceram as primeiras fendas nos muros de Berlim. Desmorona-se o sistema comunista soviético, rasgam-se as cortinas de ferro e abrem-se os muros do Kremlin. A prisão dos povos chega ao fim! Nações inteiras puderam respirar o primeiro ar da liberdade e os cristãos saíram da escuridão das catacumbas para a luz do Sol.
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Ao caírem os muros e rasgarem-se as cortinas de ferro, o mundo inteiro percebeu o mal que o sistema soviético ateu conseguiu fazer nas pessoas e na sociedade, além da falência total do seu sistema económico. Nessas regiões apareceram então outras cabeças da serpente do mal... A falência do sistema soviético gerou novas estruturas da morte. O índice de mortalidade passou a superar o dos nascimentos. A Rússia e a Ucrânia têm hoje o maior índice de abortos no mundo. Surge a indústria do sexo, a exploração e o tráfico de mulheres.
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Milhões de pessoas do Leste Europeu foram forçadas a emigrar em busca de pão, a abandonar as terras que são consideradas os celeiros da Europa. As imensas riquezas desses países foram parar às mãos de poucos oligarcas. Como consequência desse fenómeno pós-soviético, no decorrer dos últimos 10 anos, a população da Ucrânia diminuiu em cerca de 7 milhões de pessoas.
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Os países industrializados da Europa deparam-se actualmente com o novo fenómeno, o da imigração de povos do Leste Europeu, na sua maioria de procedência eslava, de escrita com alfabeto cirílico, cultura e ritos religiosos diferentes. Nós somos testemunhas desse processo e hoje foi-nos dada a oportunidade de mostrar uma faceta dessa emigração, da cultura e rito oriental próprio desses povos: o "segundo pulmão da Igreja", expressão muito familiar ao saudoso Papa João Paulo II.
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No entanto, a busca pelo pão em terras estrangeiras, provoca a quebra dos laços familiares na terra natal. O pai imigra para Portugal, a mãe vai para a Itália. Os filhos ficam por conta das avós. Está a surgir a realidade do órfão virtual: os meninos de rua abastecidos com o dinheiro enviado pelos pais. Meninos de rua diferentes, com dinheiro no bolso, mas sem o calor e a ternura da família. A rua traz a droga e o sexo fácil. O sexo como dom de Deus e fonte de vida transforma-se assim em indústria da morte.
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Como resolver os grandes problemas duma imigração que é sequela de um sistema injusto e criminoso? Como recuperar o sentido da vida, da família, da castidade, da pureza num contexto saturado de dor, separação e fortíssimas tentações de infidelidade? É possível ser honesto num mundo de mentiras e exploração? É possível ainda viver a cultura da vida dentro do contexto da cultura da morte?

Combater as redes de tráfico e exploração de imigrantes não implica criar dificuldades ao processo de legalização e de reintegração das famílias. O imigrante é também um factor positivo para as sociedades de acolhimento, vem em busca de trabalho para sustentar a família, melhorar a sua condição de vida, traz conhecimento e saber.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Sem comentários


"Se soubéssemos que o sequestro dos soldados nos levaria a isto, definitivamente não o teríamos feito". Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, no JN.

Variações


Escritas entre Dezembro 1876 e Março 1877, com a ajuda do violoncelista alemão Wilhelm Fitzenhagen, as Variações sobre um tema de Rococó para Violoncelo e Orquestra em Lá Maior (Op. 33) mostram o quanto Tchaikovsky admirava o estilo clássico inspirado em Mozart.

A peça, que dura aproximadamente 18 minutos, é tocada sem pausas (excepto entre o último movimento e o final) por uma pequena orquestra composta pelos instrumentos básicos de madeira (flautas, oboés, clarinetes e fagotes), por 2 trompas e cordas (violinos, violas, violoncelos e contrabaixos) e tem um tema e sete variações:

Moderato assai quasi Andante ? Tema: Moderato semplice
Var. I - Tempo della Thema
Var. II - Tempo della Thema
Var. III - Andante sostenuto
Var. IV - Andante grazioso
Var. V - Allegro moderato
Var. VI - Andante
Var. VII e Coda - Allegro vivo

Para ouvir, Rocco Rilippini no violoncelo, acompanhado pela Orchestra della Svizzera Italiana, conduzida por Karl Anton Rickenbacher.
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Variações Rococó Op. 33 (1ª parte); (2ª parte); (3ª parte).

sábado, agosto 26, 2006

O mestre da aguarela

Apesar de O Sacrifício de Inverno ser considerada a sua obra prima, foram as aguarelas que tornaram Carl Olof Larson mundialmente conhecido. A sua produção artística é extensa, abarcando temas como o quotidiano social, o convívio em família, os ofícios, o trabalho no campo, o cómico, o retrato.

Pescando lagostas
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Em Pescando lagostas, podemos ver como o branco do papel é o único branco usado na aguarela, produzindo uma transparência que confere às cores o brilho, a frescura e claridade.
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Cacto

A aguarela é muito exigente do ponto de vista técnico. Reproduzir as propriedades das cores sem que estas percam a sua diferença e qualidade é o mais difícil de conseguir e manter. E Larson fá-lo na perfeição, como se pode constatar em Cacto.

O pequeno almoço debaixo da bétula

No seu livro "Uma casa", Carl Larsson escreve: "Nos dias ensolarados, comemos nas traseiras da casa, debaixo da grande bétula, que as cobre completamente! Se não fosse por causa da bétula, aquele lugar não teria qualquer valor para mim. Dá uma sombra tão magnífica e é suficientemente ventoso para afastar os mosquitos. O pequeno almoço debaixo da bétula reproduz esses momentos passados na casa de família em Sundborn, pequena aldeia sueca.

Discriminação



Estudantes de medicina manifestam-se contra a proposta de criação de quotas para as castas mais baixas da Índia. (Público)

domingo, agosto 20, 2006

Alto e pára o baile

De acordo com o CM, 30 dirigentes do Ministério da Saúde compraram viaturas topo de gama para as administrações dos hospitais, alugaram carros de luxo sem autorização dos respectivos conselhos de administração, adquiriram para usufruto pessoal mobiliário e outros dispendiosos elementos decorativos, apropriaram-se indevidamente de subsídios, remunerações e regalias. Tudo somado, o Estado saiu a arder com 1,2 milhões.
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Com o Estado a pedir -nos mais e mais sacrifícios, é caso para perguntar se esta gente regula bem da cabeça.

sábado, agosto 19, 2006

Eis a questão

Enquanto Israel cumpre a Resolução 1701, desarmando o Hezbollah, o Episcopado libanês manifesta os seus receios relativamente à existência de uma dupla autoridade política no país:
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Os dramas vividos pelos libaneses durante esta guerra, que durou mais de um mês, ensinaram-nos que não se pode continuar com uma dupla autoridade política nas decisões?.

O Hezbollah tornou-se um Estado dentro de outro Estado, com o apoio do Irão, que ainda envia armas. Isso é algo que não aceitaremos depois da guerra.
(Agência Ecclesia)
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Só para a ONU e para o Governo libanês esta questão parece ser irrelevante. E ela é a que verdadeiramente importa.

Saudades de Anthimio

Admiro o profissionalismo de Mário Crespo, o modo como conduz o Jornal das 9, a capacidade de colocar as perguntas mais incómodas aos seus convidados, cara a cara.

Mas debitar sobre a história da casa Chanel por cima da metereologia é que não...Ontem senti saudades do tempo de criança, da tv a preto e branco, em que o manda chuva do Anthimio de Azevedo nos falava das altas e das baixas pressões e nos anunciava o Anticiclone dos Açores.

sexta-feira, agosto 18, 2006

Pavão ou galito?


Líbano: a França na 1ª fila é o título do editorial do Le Fígaro, assinado por Pierre Rousselin:

Si la France s'est portée volontaire pour en prendre la direction, c'est à cause des liens historiques qui la lient au Liban et lui confèrent une responsabilité particulière. C'est aussi parce qu'elle trouve là l'occasion de revenir sur la scène du Proche-Orient, dont elle a été un temps énergiquement écartée par l'unilatéralisme américain. Conduire la force multinationale à la frontière nord d'Israël implique pour la France d'avoir son mot à dire comme elle ne l'a pas eu depuis longtemps dans la région.

Para mostrar quem manda, o Jacques Chirac já anunciou o envio de 200 soldados. Só para comparar, a Itália está disponível para ceder cerca de 3 000. Vai ser o bom e o bonito, vai, vai. Se o ridículo matasse...

Os limites e certezas do conhecimento


A controvérsia não é nova mas a descoberta recente de 3 objectos semelhantes a Plutão veio colocar o problema do que é um planeta. Plutão não é um planeta em sentido próprio e a questão é pertinente: ou se considera que o sistema solar tem mais 3 planetas, e para isso é preciso alterar a definição de planeta, ou Plutão perde o estatuto de planeta. Reunida na Checoslováquia, tudo aponta que a UAI (União Astronómica Internacional) passe a considerar o sistema solar como composto de 8 planetas, designando os restantes objectos de Plutões.

Parece um quase nada, mas quanta coisa vai mudar, desde as enciclopédias, ao ensino, às mentalidades. Mais importante de tudo é o facto das mais elaboradas ciências empíricas provarem que o incessante esforço humano na procura de mais conhecimento não escapa aos limites do contingente. E o reconhecmento deste limite é condição para recolocar as questões que desde sempre inquietaram os homens.

FINUL robusta?

A ONU pede uma Força de Intervenção robusta, cerca de 13 000 homens a juntar aos 2 000 já no terreno. O Hezbollah recusa ser desarmado pelo exército, noticía o DN. A França vai enviar 200 soldados para a Força de Manutenção de Paz, a Inglaterra e a Alemanha 0 (zero).
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Números ridículos, mas num cenário destes, qual o país que arrisca a vida de 1 dos seus?

quinta-feira, agosto 17, 2006

Começar mal

Uma das medidas da Resolução 1701 é o desarmamento do Hezbollah. Segundo parece, o Governo libanês propõe fechar os olhos se o Hezbollah esconder as armas.
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No momento em que dispõe de condições para se impôr, o Governo libanês mostra toda a sua impotência e falta de vontade para mudar. Está nas mãos do Hezbollah. E assim prepara a próxima guerra.

O bê-a-bá do Estado moderno

O exército libanês atravessou o rio Litani, pela 1ª vez em 40 anos. O que significa que só agora o Líbano poderá aspirar a ter algo semelhante a um Estado.
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É que não há Estado social, não há Democracia, não há instituições crediveis e fortes, capazes de fazer respeitar as regras do Direito, se não houver, na base, um controlo minímo do espaço territorial e das fronteiras.

quarta-feira, agosto 16, 2006

O apelo ecuménico de Taizé

Roger Louis Schutz-Marsauche
(12/05/1915 - 16/08/2005)
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Faz hoje 1 ano, e o tempo não desiste de nos lembrar a actualidade do espírito de Taizé.

terça-feira, agosto 15, 2006

Passagem de testemunho


Por mais que queiram desmentir, as imagens não nos iludem. El Caguairán está nas últimas. A dúvida está em saber quanto tempo mais.

A Igreja em diálogo com o mundo

A um mês da sua visita à Baviera, Bento XVI concedeu uma entrevista a diversas rádios alemãs, que pode ser lida aqui, via Agência Ecclesia.

Tirado do baú


O final dos 70 e começo dos 80 são anos em que o descontentamento social, a guerra fria e a crise económica apelavam à desconfiança no futuro e à ausência de cores. Peter Murphy e os Bauhaus marcaram a sonoridade desse tempo. Em 1983, com o fim da banda, Murphy inicia uma carreira a solo. A sua voz, magnífica e profunda, metálica, dá corpo a um estilo minimalista, experimental, frio e distante, fortemente apoiado em guitarras e acordes do teclado. As suas canções são uma jornada pela experiência humana.

Para ouvir, da fase pós-Bauhaus:
Cuts You Up, um hino para uma geração,
A Strange Kind of Love, um brilhante momento de inspiração pop,
All Night Long, que marcou o início da parceria com Paul Stathan.

segunda-feira, agosto 14, 2006

Música para os ouvidos de um liberal

É o que ocorre, depois de ler o artigo do Ministro Vieira da Silva no DN:
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[O] exército de argumentos imobilistas de alguns pretensos defensores do modelo social europeu contra a reforma em curso não é particularmente original.
Parte, desde logo, de uma recusa dramática: a de reconhecer que a protecção social em Portugal desenvolveu mecanismos de iniquidade irracional. E parte também de um conservadorismo profundamente anti-social. Como é possível que certa esquerda não aceite que pensões de velhice que começavam a ser garantidas antes dos 55 anos e por valores acima do último salário (!) não podem fazer parte de uma política de esquerda, nem sequer de nenhuma espécie de "sensibilidade social"?
Fechar os olhos à crise económica e financeira da protecção social é algo que a esquerda europeia já tem ensaiado. Sempre com resultados catastróficos.

Aos que vierem depois de nós


Lembrar Bertolt Brecht, no cinquentenário da sua morte.
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Realmente, vivemos muito sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.
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Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranquilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?
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É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
[(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: "Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!"
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Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.
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Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.
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Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
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Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
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No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, - espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
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As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
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Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.
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Íamos, com efeito,
mudando mais frequentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.
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E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.
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Poema extraído do caderno "Mais!", jornal Folha de São Paulo (07/07/2002), tradução de Manuel Bandeira.

domingo, agosto 13, 2006

Democracia ou Teocracia?

Na Noruega acendeu-se uma nova polémica. Jostein Gaarder, o conhecido autor de O mundo de Sofia, questiona, num artigo entitulado God's chosen people, a existência do actual Estado de Israel, e afirma, entre outras coisas:
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We do not believe that Israel mourns 40 killed Lebanese children more than it has lamented for more than 3 000 years 40 years in the desert. We note that many Israelis celebrate such triumphs like they once cheered the scourges of the Lord as 'fitting punishment' for the people of Egypt.
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Ler o resto da notícia aqui.

Resolução 1701

Via Haaretz, os termos da Resolução que põe fim ao conflito entre Israel e o Hezbollah.

A paz

Agora que tudo se encaminha para que as armas se calem, seria bom que o apelo de Bento XVI ao respeito pelo direito dos libaneses à soberania, dos israelitas à segurança e dos palestinianos à liberdade, todos nos seus respectivos Estados, não caia em saco roto.
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É que neste apelo está o segredo para uma paz duradoura na região.

Solidariedades em Beirute

Em Beirute, paredes meias com a zona xiita fustigada pelo bombardeamento israelita, uma escola cristâ serve de abrigo a inúmeras famílias.

Discussões em Beirute

Reportagem da RTP nas ruas de Beirute. Aviões israelitas acabavam de atirar panfletos sobre a cidade. Uma xiita libanesa, com o panfleto na mão, discute com um cristão libanês, acusando os cristãos de serem coniventes com os israelitas.
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Mais à frente, um sunita libanês é interrompido por um xiita, que acusa Israel de usar o rapto dos soldados como pretexto para invadir o Líbano.

sábado, agosto 12, 2006

Alguém sabia?

Sem show-off, sem notícias na televisão, sem propaganda e politiquices à mistura, a Oikos está no Líbano, a trabalhar no duro, integrada com 3 outras organizações num programa que se prevê durar 3 meses, com vista a garantir as condições básicas de vida à população deslocada, prevenir a deterioração do estado de saúde da população, e reduzir o risco nutricional e a incidência de doenças relacionadas com a água, saneamento e higiene da população mais vulnerável, segundo afirmou à Agência Ecclesia o chefe da missão, João Anselmo.

Ainda de acordo com informações da Oikos, estes objectivos serão alcançados através dos seguintes eixos de intervenção:
1) Água e Saneamento:
A população deslocada tem acesso a água potável nos centros de acolhimento, através da implementação de sistemas de distribuição de emergência e reabilitação de sistemas de água já existentes.
2) Higiene e saneamento:
A população deslocada tem acesso a condições mínimas de saneamento e higiene de emergência, de forma a prevenir o surgimento de doenças epidémicas.
3) Nutrição:
O estado nutricional de crianças menores de 5 anos encontra-se estabilizado, através da distribuição de complementos nutricionais adaptados.
O programa pretende, para já, beneficiar 30 000 pessoas em Sidon, 15 000 no Monte Líbano, e deslocados em 30 centros de acolhimento (escolas) em Beirute.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Portugal em silêncio

Quando Israel invadiu o Líbano, a AMI prontificou-se logo a ir para o terreno. 3 gatos pingados arrastaram consigo um batalhão de jornalistas. O tempo de antena foi diário, nas televisões, nas rádios, nos jornais. Regressaram ontem, como uns heróis. Durante 2 ou 3 dias, as televisões não se calaram com a notícia do C-130 das FAP, por ter sido o 1º avião a aterrar em Beirute com ajuda humanitária.
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A morte recente de 3 mulheres, vítimas de violência doméstica, não mereceu uma reportagem, um debate, não suscitou qualquer indignação, um comunicado. De ninguém. Indiferença total.

terça-feira, agosto 08, 2006

Obrigado Francis


Depois dos 100 os 200, para ver subir bem alto a bandeira e ouvir A Portuguesa.

Sinais de entendimento

O anúncio do envio de 15 mil reservistas do exército libanês para a fronteira com Israel mereceu o aplauso do governo de Telavive.
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Quem não deverá achar graça é o Hezbollah, dono e senhor há anos da fronteira israelo-libanesa.

segunda-feira, agosto 07, 2006

Ai se a moda pega

Boa! Uma empresa irlandesa publicou um anúncio de recrutamento de pessoal, avisando que os fumadores estavam automaticamente excluídos. com tudo isto, ficámos a saber que a UE acha bem, não considera isso um acto discriminatório.
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Tão prolixa para regular sobre tudo e mais alguma coisa, é caso para perguntar se em Bruxelas está tudo doido. Ou será também do calor?

sábado, agosto 05, 2006

Pôr os pontos nos is

Obrigar o Estado libanês a assumir integralmente o controlo de todo o seu território é uma das medidas que está a ser discutida neste momento pelos 15 membros do Conselho de Segurança.

Se for aprovada, teremos finalmente uma Resolução com pés e cabeça, que acabe no Líbano com essa aberração de haver um Estado dentro do Estado. E se o próprio Líbano não fôr capaz, que seja uma Força Internacional a fazê-lo.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Veneza luminosa


Veneza é uma cidade esplendorosa e Antoine Bouvard Senior (ou Marc Aldine) é provavelmente um dos artistas que melhor a soube pintar. Veneza respira em todos os seus trabalhos, a sua ambiência, a sua arquitectura, a sua luz natural.

O seu estilo, marcadamente naturalista, está bem patente em Uma vista para o Palácio do Doge e a Torre do sino. O que impressiona nesta cena é a palete de cores muito ricas e o brilho da luz contrastando com a riqueza das sombras ao entardecer.

Lendo os outros

Sobre a guerra justa, a opinião de João cardoso Rosas, no Diário Económico:

[A] justiça relativa às causas da guerra (o chamado jus ad bellum) não deve ser confundida com a justiça relativa à conduta na guerra (o jus in bello). (...) O princípio mais importante relativo ao jus in bello é a imunidade dos não-combatentes. Estes não devem ser directamente atacados em circunstância alguma.

Neste aspecto, as forças israelitas com certeza que cometeram injustiças - em Canaã e não só - e a opinião pública mundial não as deve deixar passar em branco. Do ponto de vista da teoria da guerra justa, é preferível não abater um alvo que um inimigo sem escrúpulos protege com escudos humanos a abater esse mesmo alvo causando a morte de inocentes. O terrorismo consiste, precisamente, em matar inocentes intencionalmente. Por isso não devemos ter contemplações para com ele. Mas também nunca devemos copiar os seus métodos.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Ser ou não ser terrorista

O Hezbollah é uma organização libanesa que engloba grupos e organizações islâmicas radicais xiitas. O seu nome significa "partido de Deus", é uma força com um peso significativo na política libanesa e em termos sociais, presta serviço a milhares de xiitas libaneses, possuindo escolas, hospitais, administra propriedades agrícolas e detém a estação de televisão via satélite Al-Manar.

Toda esta actividade visa a concretização de um sonho, transformar o estado multi-confessional do Líbano num Estado islâmico de estilo iraniano.

A sua rétorica política apela à destruição do Estado de Israel. A Palestina é terra muçulmana ocupada e Israel não tem nenhum direito a existir.

Desde 1983, o Hezbollah e as suas filiais planearam e executaram uma série de ataques contra alvos ocidentais, sobretudo americanos e israelitas, como por exemplo:

o nos anos 80, uma série de raptos de ocidentais no Líbano, incluindo diversos americanos;

o o rebentamento de um camião-suicida, de que resultou a morte de 241 fuzileiros americanos (Beirute, Líbano, em 1983);

o em 1985, o assalto ao avião da TWA (vôo 847);

o os ataques à embaixada de Israel na Argentina em 1992 (29 mortos) e a um centro de comunidade judaica em 1994 (95 mortos).

No total, o Hezbollah foi responsável por quase 200 ataques que mataram mais de 800 pessoas.

Quantos mais atentados precisa o Hezbollah cometer para ser pela UE considerado terrorista? (DN)

quarta-feira, agosto 02, 2006

As dúvidas de Cavaco

Aos poucos e poucos vamos percebendo o porquê das dúvidas de Cavaco relativamente à famigerada Fundação Berardo:

O empresário Joe Berardo, dono da colecção de arte que se vai transformar, dentro do Centro Cultural de Belém de Lisboa, no Museu Berardo, é a única pessoa que poderá propor nomes para o cargo de director do museu. (Público)
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Mesmo a propósito, o olhar cirurgíco do João Gonçalves do Portugal dos Pequeninos a tocar na ferida.

Quadros que narram histórias



O conhecimento sobre a construção de barcos e navios, os desenhos altamente detalhados e exactos das embarcações de todos os tipos e a influência dos mestres holandeses do século XVII, sobretudo de Aelbert Cuyp, marcam o trabalho de William Anderson e do género de pintura marinha por ele criada. A composição e luminosidade dos seus trabalhos é brilhante. Nas suas pinturas, aguarelas e desenhos predominam as cenas litorais e de rio, momentos de calma e cheios de luz, com embarcações ancoradas e o trabalho diário dos pescadores.
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Mas Anderson é também conhecido por ter pintado grandes acontecimentos históricos. A conquista do Forte Louis na Martinica é disso exemplo. Nos inícios de 1794, Sir John Jervis tinha conseguido conquistar toda a ilha da Martinica, à excepção de Forte Royal. O Forte Louis era a principal defesa de Forte Royal, Jervis mandou o navio Ásia e a corveta Zebra tomar aquele ponto de defesa. Como o Ásia não conseguia alcançar a sua posição, o comandante do Zebra aprontou-se para tomar o forte sózinho. A pintura mostra à esquerda os dois navios e à direita uma barca atracada na praia onde, debaixo de uma barragem de fogo intenso, o comandante Faulkner apresta-se a conduzir os seus homens até ao forte, que aparece encoberto pelo fumo das armas.